O ELEITOR INVISÍVEL DE 2024 E O JOGO REAL

As eleições de 2024 deixaram um recado claro: uma parte significativa do eleitorado simplesmente não escolheu ninguém. Entre abstenções, votos brancos e nulos, chegamos a impressionantes 47.515 eleitores. Esse dado não é apenas estatístico, é político.

Ele revela um eleitor cansado, distante da polarização e descrente da política tradicional. E é justamente esse eleitor que pode definir o jogo em 2026, em Camaçari, onde a disputa segue fortemente marcada pelos dois maiores grupos políticos da cidade. Elinaldo fará um embate direto com Tagner Cerqueira, apoiado por Luiz Caetano, ambos lutando por uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia.

A polarização, ao mesmo tempo em que mobiliza bases fiéis, também afasta uma parcela relevante da população, que não quer ver esses embates, mas sim soluções para os problemas da vida real. É nesse espaço que surge o chamado “eleitor invisível”: aquele que não vota, vota branco ou anula, mas que continua presente e pode ser ativado. Esse eleitor pode ser conquistado pelo candidato que saiba dialogar com a vida real do trabalhador, da dona de casa, do estudante e daqueles que realmente querem ver desenvolvimento sustentável, emprego e renda e uma cidade melhor.

No cenário de 2026, teremos a deputada Ivoneide Caetano buscando a reeleição e nomes como o ex-candidato a prefeito Flávio Matos, e os também deputados: Paulo Azie Manoel Rocha. Correndo por fora, esse que aqui escreve “Márcio da Autoescola”, na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Naturalmente, os quatro primeiros atores tendem a concentrar votos dentro dos seus campos políticos. Mas a eleição proporcional permite outra lógica.

Diferentemente da majoritária, não é preciso vencer a cidade; é preciso construir uma base consistente. E isso abre espaço para candidaturas que não estejam presas à polarização. É nesse contexto que um nome de centro pode encontrar viabilidade eleitoral, não disputando diretamente com os grandes grupos, mas dialogando com quem hoje está fora do jogo.

Esse eleitor não está esperando um candidato, ele está desengajado. Para esses mais de 47 mil eleitores que anularam, votaram em branco ou sequer foram às suas seções eleitorais, não basta um discurso político tradicional. Esse eleitor quer conexão com a vida real, linguagem simples e propostas concretas.

Mais do que convencer, o caminho é reengajar. Se conseguir transformar parte desse eleitor invisível em voto ativo, uma candidatura de centro pode não apenas existir, mas se tornar competitiva. Em um cenário de confronto permanente, talvez a maior força esteja justamente em quem decide não brigar, mas resolver.

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